segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Tooday is 01.01.09

Acho que agora já posso deixar 2009 entrar... 
É que o ano novo chegou assim, atropelando tudo, sem que eu estivesse preparada. Talvez porque eu tenha passado todo o segundo semestre num universo paralelo, enfiada no interior da Bahia,  vivendo uma vida que não era bem a minha (era sim, mas nem tanto). Talvez porque não tenha dado o tempo necessário pra despressurizar, voltar pra terra e aclimatar. Talvez porque eu não tenha visto algumas estações do ano, e tenha acabado voltando pra minha casa, sem entender tanto que era minha. 
E veio neve, ski, e grandes lagos congelados. Depois veio mais viagem, parques, praias e trilhas. E Los Angeles com seu trânsito louco de freeways embaralhadas. E Las Vegas e suas construções megalomaníacas, cirque du soleil com bailarinos, acrobatas e nadadores. Tudo muito eclético, mas regado a amor de mãe e irmão. Tão em casa e tão sem casa fixa. E enfim San Francisco, apresentar essa cidade encantadora, seus cantinhos, tudo que eu conheço tão bem, praqueles que me conhecem tão bem. Veio despedida, e essa foi dura.
Foi preciso o novo presidente chegar, começarem as aulas, ir ao cinema com o Vitor, jantar com a Vitoria, tomar drinks com a Gi e com  Celia, ir na festinha na casa da Márcia, e principalmente o gatinho voltar do México (será que agora a gente consegue ficar um tempinho na mesma cidade, juntinhos?); pra o ano começar direito. 
2008 foi um ano difícil, mas muito bom. Um ano de enfrentar monstros, que no fim não eram tão monstruosos assim. Cheio de conhecimento, de desafios e criatividade. Um ano tão diferente que foi difícil desapegar. 
E agora vem mais um, o tal 2009.
Feliz ano novo :-), acho que vou usar branco amanhã, pra comemorar.
 

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

casa vazia


Prometo um post de ano novo, cheio de historinhas e reflexões. 
Agora não dá. A casa tá muito vazia, depois de vinte dias de visita de pessoas absurdamente especiais e amadas. 
Ficam sorrisos, cheiros, lagriminhas que não param de cair, e uma vontade louca da saudade "assentar" de novo...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Cinema



Sempre que vejo um filme muito bom fico absurdamente feliz.  Muda qualquer humor, me dá energia, vontade de criar, trabalhar, produzir. 

Ultimamente vi três (três, incríveis, no cinema, em uma semana - muita sorte), que não posso deixar de dividir:

1. Let the right one in -  (Låt den rätte komma in) - Este é mais difícil de gostar, é filme de vampiro, mas juro que achei MUITO bom. Muito bem filmado, casting incrível, roteiro bom, fotografia gélida, cansa um pouco, mas é bem bonito. Queria ter feito esse... :-). Só não assistam ao trailler.

2. Rachel Getting Married - Doce e amargo, passivo e agressivo. Melhor diálogo dos últimos tempos, queria Jenny Lummet (roteirista) para comentar todos os meus roteiros da vida! Muito bem dirigido, elenco muito bom. Rí muito, chorei muito, e saí arrasada de saudades da minha irmã. 

3. I've loved you for so long (Il y a longtemps que je t'aime)- Triste e bonito. Um super filme de ator, muito bem atuado por sinal. Sem viradinhas no final, sem pretensão de ser "espertinho", simplesmente a história. Bem filmado e bem dirigido. Chorei horrores e, de novo, saí arrasada de saudades da minha irmã. 

ps: estranha semelhança nos cartazes... agora que percebi!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Aventuras na cidade grande

Abriu um museu novo por aqui, de história natural, no golden gate park. Quarta-feira a entrada era franca, então fomos eu e Celia,  bem felizes e gratuitas, ao Academy of Sciences.  O museu é 100% green, nada polui, a energia é solar, tudo é reciclado e o teto faz um monte de fotossíntese (living roof), além de conservar o calor no ambiente, diminuindo o trabalho dos aquecedores que seriam elétricos ou a gás. Tudo incrível! Não deu pra entrar no Planetário (ficou para a próxima) e nem na Rain Forest (fila de 30 minutos pra ver um protótipo de "eu quero tanto ser a Amazônia" dentro de um globo de vidro...) Mas era tudo lindo, vimos pinguins namorando, muitos bichos empanados, muitos peixes, tubarões, jacarés albinos. 
Lá no aquário as duas crianças queriam ver tudo achar todos os peixinhos. Num dos "brinquedinhos", a curiosa aqui achou um buraquinho, e lógico, colocou o olhão lá pra ver o que era. De repente, um jato MUITO FORTE de água foi disparado bem no meu olho direito! Comoção geral, seguranças, banho de "limpa olhos", enfermaria, boletim de ocorrência, etc etc... Uma aventura só. 


ps: perdi uma lente de contato, meu olho ardeu muito, minha cabeça doeu muito à noite e estou com torcicolo há três dias. ai ai...


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Bonito pra quem entende de arte

Semana passada fui pra Los Angeles. Esqueminha 100% madame, maridão trabalhando e eu hospedada em um hotel muitas estrelas na beira da praia em Santa Mônica. Rodei um bocado pela metrópole californiana até que me vi perdida de amores pelo tal Getty Museum. Uma arquitetura, uma vista e um jardim de matar. Juro que nem precisava de toda aquela arte lá dentro. Mas lá estavam todos os pintores europeus de 1600 a 1900, além de uma exposição linda de book art da avant-gard russa; e mais outra de um fotógrafo Carleton Watkins, que morreu em 1916, após fotografar incansavelmente 2 lugares que amo de paixão: San Francisco e Yosemite. Não bastasse tudo isso, a entrada é FRANCA (coisa raríssima em LA), e o sol se põe no mar, na sua frente! Afe!

Me fez lembrar um momento ótimo do filme que acabei de fazer. Pense em uma figuração local de Xique-Xique do Iagtu, ou do assentamento sem terra do Mucambo, toda vestida de ex-escravo em 1920. Tecidos e mais tecidos lavados no chá e todo mundo sujo de maquiagem preta nas unhas e muito óleo na pele. Uma das figurantes reclamava que sua roupa era muito feia, quando a figurinista disse: "Imagine, vocês estão todos lindos". Com a maior displicência do mundo, a moça lhe respondeu: "Hum, bonito é pra que entende de arte, né dona?" 

Sim, bonito mesmo pra quem entende de arte. Diferente do Getty...