terça-feira, 19 de maio de 2009

The zero countdown



Todo mundo tem um pouco de medo desse dia. O dia de prestar contas. Consigo mesma. Acho que quando a gente é nova a gente sempre se projeta com os famosos 30 anos, cheia de expectativas. E pensa que quando for "velha", lá pelos 30, as coisas serão de um jeito ou de outro.

Hoje eu faço 30 anos.  
Sequer me lembro quem é mesmo que eu deveria ser nesta data. 
Mas me sinto bem. Pronta pra virar gente grande. 
Pra dormir e acordar, e ver que amanhã vai estar tudo igual. Que estas coisas não mudam assim da noite pro dia. 
Pra entender que quem quer que seja que eu (e todo mundo) esperava que eu fosse hoje, se tornou quem eu sou hoje. Assim desse jeitinho mesmo. 
Hora de zerar o cronometro, e inventar todas as minhas novas metas, e esquecê-las progressivamente até os 60.

Começo embarcando para Paris daqui a menos de uma semana. Rapidinho, pra não dar tempo de esquecer. 

PS: Aceito cremes anti-rugas de presente de aniversário, de hoje em diante. Porque não faz nenhum mal seguir os conselhos da vovó, que tem uma pele linda aos 70, curtida em mágicas gostinhas da Estée Lauder. 

quarta-feira, 29 de abril de 2009

F.O.G



Era um dia como outro qualquer. Eu andava pela parte azul do universo, literalmente jogada na grama, no sol, no vento. Do lado de lá estava o mundo fantasmagórico, o castelo da bruxa, o navio do pirata. 
O fog vem assim, desce feito líquido das montanhas, se aloja baixinho, denso. E fica. Às vezes sobe e cobre tudo, às vezes dissipa. Mas normalmente ele fica. 
E, por mais chato que seja acordar e encontrar o horizonte enubriado, é uma delícia dormir com o barulhinho surdo dos navios apitando, se comunicando no fog, lá longe.


PS: Por aqui, além de todos os fatores normais que determinam os valores imobiliários numa cidade, também conta a quantidade de fog no bairro, rua, redondeza. É mais caro no mundo azul...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

32 graus

Sim, fez 30 graus, por 3 dias seguidos e não ventou. Fui a praia domingo passado e saí de lá as 7 da noite, sem sentir frio, uma brisinha morna, coisa de louco mesmo. Precisa morar em San Francisco para entender o que significa isso, mas vou tentar explicar assim mesmo.

Aqui não existe verão. No verão tem fog (que é uma experiência única), vento gelado e alguma chuva. Dizem os amigos que outubro é o mês do verão daqui, mas eu só acredito vendo. Ano passado passei outubro em plena Bahia, e por lá era verão - mesmo sendo primavera. De qualquer jeito, ainda não é verão pra ninguém no hemisfério de cá, e logo nós, o povo mais sem verão desse país, fomos, bem lindos, todos à praia. 

Além de não ter verão, mesmo quando fica quente - porque também nunca fica frio frio Noruega - tem o vento. O vento não pára. E é gelado que só. E começa as 3 e meia. E segue ventando até o dia seguinte. Repito que domingo fiquei na praia até 7 da noite e não senti frio. 

Acho que se fizesse um clima assim sempre não caberia todo mundo na cidade. Tipo o Rio de Janeiro, se não tivesse violência.

PS: Ir a praia não signifca entrar no mar. Dói o pé, congela o sangue, é bem pior do que as cachoeiras mineiras no inverno. Eu entrei, 3 vezes, mas só porque sou muito teimosa mesmo. E pode ir pelado, de biquini americano, brasileiro ou de calça jeans, ninguém liga muito não. 

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mission

A idéia é da Gi. Mas eu gostei. E virou uma missão, conjunta. 
Uma série de posts, bairro a bairro, com nossos cantinhos prediletos de cada um...


Começo pelo Mission. O bairro latino, onde os outdoors são em espanhol. O bairro que abriga a Misíon San Francisco de Asís, igrejinha linda, de pedra, construída em 1776,  a construção mais antiga da cidade. San Francisco é uma cidade de prédios relativamente novos, pois foi quase toda destruída pelo terremoto de 1906. Mas a igreja sobreviveu. E seu pequeno cemitério fofo também.

No Mission tem também o Dolores Park, na rua da Igrejinha. Diz a lenda que lá em 1776, os mexicanos que carregaram as pedras da igreja morro acima, chamavam a construção de La Misíon Dolorosa, dando nome a rua (adoro lendas urbanas, cultura inútil, etc).  O Dolores Park, além de uma vista linda lá de cima, fica sempre cheio de gente animada, tem pouca criança gritando e muito cachorro. Tem um sorvete cotadíssimo na frente, com sabores incríveis e uma fila gigante. Fila tem também no famoso croissant alí ao lado, na 18 com a Guerrero. Confesso que nunca consegui comer nenhum dos dois, pois sempre me faltou paciência, mas já ouvi maravilhas.

A Valência Street é a minha favorita, com suas lojas, brechós e galerias alternativas, onde você até encontra quadros dos amigos.  No Mission fazem abaixo assinado pra não chegar a GAP, adoro! A 16th e a 24th também são incríveis. Pra comer bem basta querer. Além de centenas de taquerias (uma a cada esquina), tem excelentes restaurantes: paquistanês, espanhol, grego, francês, boliviano, cubano, japonês, pizza, vegan, veggie, etc. De caro a barato. E à noite (antes das 2, claro!)  bares, movimento, gente na rua, amo! 

A rua principal, a Mission Street possui milhares de lojas onde frutas e legumes são mais baratos, camarão custa o preço de carne moída no Brasil (e é fresco), açougues lembram os de Pinheiros, e quinquilharias com cara de 25 de março vivem entulhadas em espremidas prateleiras. Tem também uma lojinha muito cara que vende pão de queijo Forno de Minas, requeijão, bis e guaraná. Pra completar, nas pequenas ruelas paralelas há murais lindos, pintados nas paredes das casas, nas gastas cercas de madeira, nas portas e janelas. 

Essa coisa de escolher 5 pontos prediletos achei uma idéia, minha mesmo, muito boba. Ainda não sei se decidi certo, e passei quase uma hora torturando a minha cabecinha. 

Paxton Gate - lojinha de coisas estranhas e plantas lindas. Fósseis, caveiras, desenhos e livros, uma ótima seleção de coisas que dá vontade de ter em casa.


Vintage store - dois andares de móveis lindos, vintage, usados e reformados (ou não). Coisas incríveis, tudo caríssimo mas delicioso de olhar. 


Radio Habana Social Club - Difícil estar aberto, abre quando quer, pro que quer. Mini bar cubano, comida boa, muita legal, cheio de tralha, muito de verdade.


Ritual Coffee Roasters - Um café que realmente serve um bom café. Aqui nos EUA é quase impossível. No fundo do bar sacos e sacos de grãos cheirosos, que você pode aproveitar em uma desgustação de cafés em copinhos de vidro. Um monte de gente jogada no sofá, "lap-topando", por horas e horas.


Mini salinha de cinema independente - a maioria das coisas passa em vídeo, numa telinha mini, com cadeiras desconfortáveis. Mas compartilho bem essa vontade-louca-anti-indústria de sobrevivência.

Ufa! Agora só preciso controlar esse desejo de largar tudo, sair correndo e passar a tarde por lá!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Slices of Empty Space





Sim, existem vários defeitos no meu filme. 
O tal pêlo no gate, foco, entradas de luz pelo visor, som zoado.
Nada como estar na escola, e poder estar aprendendo. 
Com defeito e tudo, vai aí um "gostinho".